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[02] - Cigarettes

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[02] - Cigarettes

Mensagem por Hermes em Dom Jun 10, 2018 9:10 pm

Cigarettes
Rota 34 (Scorched Forest)


"Há cigarros que duram mais que algumas promessas".
Desconhecido

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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Hermes em Dom Jun 10, 2018 11:03 pm

Sentinela
Rota 34 (Scorched Forest) - Manhã

O intenso sol já reinava no céu desde o início da alvorada, pude acompanhar o seu esplendoroso nascimento lá em Miskin Town e agora, aqui nessa rota, é que está mais evidente de que definitivamente o verão veio com tudo. E não é pra menos, afinal, a Floresta Chamuscada ou Scorched Forest já é naturalmente conhecida por seu habitat morno se comparado ao clima predominante de Aurille, inclusive foi esse misterioso fato que me fez vir até aqui.

— Muito bem, aqui estamos. Hora de trabalhar, pessoal!

Liberei Sneasel e Hypno de suas respectivas pokeball e devo dizer que nunca vou me cansar da reação de raiva e desprezo que a felina tem quando é suprimida por esse dispositivo. Sempre que é posta pra fora dá um jeito de manifestar a sua indignação me insultando em seu idioma, ou em alguns caso, como este, tentando dar com as garras na minha cara. Felizmente dessa vez eu tinha um trunfo!

*Ting... Ling...*
Tilintou a pequena Soothe Bell.

— Ah ha! Não dessa vez, gatinha. — Vangloriei. De fato, após o primeiro soar daquele singelo objeto o pokémon automaticamente se viu em êxtase e obrigado a retrair a sua retaliação. — Agora eu tenho um remedinho contra esse seu comportamento imoral. Vai aprender a me obedecer na marra, valeu? — Concluí prendendo o objeto seguramente ao seu pescoço. Agora a Sneasel parecia ser outro pokémon de sua mesma espécie, era literalmente espantosa a forma como ela tinha se acalmado... me pergunto do que diabos é feito isso ai? Certamente que não é algo místico e assim, caso contrário eu já teria lido sobre. Enfim, ao contrário dela a recepção do recém chegado Hypno foi um pouco mais contida: Ele era tímido, nitidamente com tendências antissociais, não vou reclamar... ao menos é obediente, hm.

O Governo de Aurille tem chamado a atenção do povo sobre os recentes eventos que vem acontecido nesse lugar, o fato é que alguma coisa está despertando uma espécie de comportamento maléfico nos pokémon daqui e as consequências disso se deram em dispersos focos de incêndio. Isso é preocupante, realmente. Mas pergunte se eu me importo? Claro que não. Tive que forjar a minha indignação para conseguir essas passagens de graça, posso até ser consideravelmente rico mas eu não sou burro. Meus objetivos são outros, como um bom explorador gosto de aventuras, sobretudo aquelas que possuem um fundo de mistério, e cá estou eu numa cena exatamente com estes requisitos. Pelos livros que li sobre este lugar aparentemente todo o perímetro da Floresta Chamuscada foi concebida por uma bênção de um pokémon lendário, embora haja tão poucos registros que relatem detalhadamente sobre isso. Alguns estudiosos dizem que os atuais eventos possuem relação com o clima abrasivo que tem assolado toda a região, talvez o verão mais quente nos últimos anos em Aurille. Já eu? Como amante dos mistérios e caçador de aventuras, analiso o fato tendo ele relação direta com o que está exposto na lenda; talvez o clima também tenha acrescido essa situação, mas não é o foco principal.

— Parceiros, viemos aqui para investigar. — Nesse momento o próprio Hypno pareceu estar mais interessado, isso de fato aguçou a sua curiosidade. — Vejam, a área onde nós estamos aparentemente ainda não foi afetada pelas chamas, precisamos estar atentos a isso, ok? — Olhei para os arredores e cerrei o cenho. Era tudo tão uniformemente avermelhado, me perguntava se saberíamos o momento certo de evacuar caso um incêndio se instaurasse. A copa das árvores eram vastas e cheias, contudo, uma visão aérea seria mais do que necessário para traçar uma rota segura.

— Ei você! — Apontei para o pokémon psíquico que prontamente respondia ao meu chamado. — Consegue me levantar? Sei lá, você deve conseguir fazer isso com a sua mente né?

Explorar as habilidades dos meus companheiros era preciso, Hypno erguia suas mãos e conforme seus olhos brilhavam uma aura azulada contornava-me o corpo e sorrateiramente me suspendia. Confusion ainda não era a melhor das técnicas psíquicas para executar tal façanha, mas em certo ponto até que parecia o suficiente, conseguiu me levar a altura de uma árvore onde pude sentar num dos fortes galhos e observar os arredores. Infelizmente não estava munido do meu binóculo, não achei que precisaria, então tive que me contentar com a visão limitada do perímetro.

— Tudo bem, parece que nossa trilha vai começar pela direi-- — Algo interrompeu meu raciocínio. Um fruto caiu sobre minha cabeça, em seguida foi ao chão. — Ai! Caramba... Era uma Sitrus Berry? Mas não existe desse fruto por aqui... — Ao olhar pra cima pude perceber que eu não era o único a estar atento por ali. Havia uma ave nos galhos superiores, ele me encarava com precisão e seus olhos surpreendentemente vermelhos só podiam indicar uma coisa: F*deu. Era um Pidgeotto, e se naturalmente aquele pokémon já é territorialista, sob a reação de um fator misterioso ele deve ser um verdadeiro sentinela. — Rápido Hypno, me tira daqui!

- VS. Pidgeotto -

O pokémon psíquico puxava-me com todas as suas forças mentais, a queda foi inevitável mas certamente que teria sido pior se aquele pássaro tivesse me derrubado lá de cima. Mandei que ambos os pokémon se preparassem, agora seríamos alvos daquele sentinela até que ele tivesse a certeza de que fôssemos eliminados. Pidgeotto saia daquela árvore e tomava uma posição de ataque, desceria num voo direto com seu Tackle e julgando pela sua velocidade aerodinâmica, não tardaria para executá-lo.

— Hypno, segure-o com Confusion! Nebraska, avante com Ice Punch! — Ordenei ainda sentindo as dores da queda.

Pidgeotto vinha velozmente numa descida perfeita, porém, Hypno foi suficientemente capaz de contê-lo com sua habilidade, era a oportunidade perfeita para Sneasel desferir um Ice Punch perfeito, mas a felina nem reagia, parecia ainda estar sob os efeitos iniciais do sino, o que era péssimo já que Hypno não conseguiu segurar o pássaro por muito tempo e acabou sendo atingido por seu ataque. O pássaro dava meia volta e já denunciava a sua próxima investida, dessa vez a longo alcance: um Gust.

— Ah qual é?! Isso não é hora de bancar o gatinho manhoso! Nebraska, estamos sobre ataque aqui! Reaja! Ice Punch mais uma vez, vamos! Quanto a você, Hypno, tente usar o Hypnosis.

Mais uma vez Sneasel encontrava-se sem resposta, até o seu parceiro de batalha se sentiu incomodado com isso, afinal de contas estava acostumado a vê-la em seu jeito mais feroz - foi ela quem quase lhe tirou a vida dias atrás, hm. A ventania provocada pelo Gust do Pidgeotto avançava rapidamente pelo ambiente e era mais forte do que eu podia imaginar, isso combinado ao clima quente e abafado daquela floresta era quase como um Heat Wave. A dupla de pokémon era afetada graças a inércia de Sneasel, e mesmo com todo esforço o Hypno não conseguia executar seus movimentos hipnóticos. Estávamos em desvantagem, que vergonha. Foi aí que o portador do pêndulo teve uma ideia inteligente. Valendo-se de sua técnica Switcheroo, num estalar de dedos os itens entre os dois foram instantaneamente trocados: Nebraska passou a segurar o pêndulo, enquanto Hypno detinha a Soothe Bell que consequentemente lhe deixava no mesmo estado de passividade que sua parceira anteriormente. Sneasel estava de volta a batalha e cruzava olhares raivosos com o adversário. Agora é elas por elas.

— Perfeito! Nebraska derrube esse pássaro com vários socos! Conto com você!

Claramente que ela não precisava da minha autorização, mas o movimento era bem previsível; ela já tinha levado dano demais para o seu gosto. Pidgeotto descia com seu voo raso para desferir outro de seu voraz Tackle, a este passo a Sneasel congelava os punhos e estava pronta para depenar cada canto do corpo daquela ave com uma sequência de socos gélidos. Assim se sucedeu, o pássaro vinha com sua investida direta e certeira, parece que ele nunca errava um ponto, porém, dessa vez já teríamos tudo sob controle: A felina esperou que ele chegasse perto o bastante para desferir um belo Ice Punch que não só prevenia a investida do adversário, como também inabilitava uma de suas asas com uma membrana de gelo. Pidgeotto agonizava mas os olhos vermelhos permaneciam e queriam mais e mais.

— Nebraska finalize isso. — Assenti. O pokémon noturno fez questão de dar um salto sobre ele e descer com um soco direto na região do estômago, o resultado após esse golpe crítico não poderia ser outro: Vitória da Sneasel e do Hypno também. E mais uma vez ela gostaria muito de literalmente matar aquele adversário, no entanto... — Acalme-se, ele vai ser muito útil. — Taquei uma Pokéball sobre o Pidgeotto aguardando uma resposta positiva. Devo dizer que mesmo naquele estado o bicho relutou em manter-se ali e ficou claro com a quantidade de vezes que o objeto tremeu, mas por fim concluía a captura.

Não preciso dizer que ela ficou brava outra vez, né? Felizmente o súbito estalar de dedos do Hypno trazia a Soothe Bell ao pescoço da felina outra vez, tranquilizando-a. Francamente, queria que todos os pokémon fossem astutos como ele, e valendo-se dessas atitudes incríveis fiz questão de batizá-lo, consagrando-o como membro fiel da equipe. — Ozymandias, esse vai ser o seu nome, parceiro. Valeu pela ajuda. Quanto a você Nebraska, descanse. — Recolhi a pokémon de gelo deixando somente o narigudo de fora para me auxiliar. Em seguida o próprio trouxe para mim através da levitação aquela Sitrus Berry que caiu anteriormente, sentiu que em algum momento ela seria útil e, de fato, ela seria. — Valeu mesmo, Ozzy!

Após um breve período de descanso veio a constatação; com as observações que fiz através dessa batalha pude perceber que estando possuídos por esse fator misterioso, os pokémon parecem ganhar mais força e consequentemente seus instintos ficam aguçados. Essa dedução é uma via de mão dupla: De um lado temos criaturas selvagens agindo de forma duplamente feroz; de outro pode-se tirar vantagem dessa previsibilidade. Certamente que um Pidgeotto em condições normais teria feito mais do que ataques diretos, teria pensado no mínimo numa esquiva inteligente.

— Interessante... — Levei a mão no queixo, aquela sensação exigia um cigarro e assim o fiz. Sei que é errado, sobretudo no lugar onde estou e sobre o que está se passando aqui. Pessoas normais se importariam, mas eu? Eu to de boa só analisando os fatos que me convêm. Por falar nisso, agora tenho um recurso valioso para explorar a Scorched Forest: Um habitante da própria floresta. Genial, não é não? Com a ajuda do Pidgeotto eu teria o monitoramento aéreo que precisava, mas por enquanto... — Vamos pela direita Ozzy, percebi que aquela região está mais escura e senti um cheiro chamuscado também. Sabe o que dizem né? Onde há fumaça, há fogo!

Assim, segui pela direita na companhia do Hypno, explorando mais daquela rota e aguardando a oportunidade certa para usar o Pidgeotto, o habilidoso Sentinela.



Dados: Item // Pokémon
Item Escolhido: Sitrus Berry
Pokémon Capturado: Pidgeotto
Gastos: 1x Pokéball

Adendos: Não lembro se são só os pokémon de fogo que ficam possuídos, mas senti a necessidade de inserí-lo nesse contexto também.

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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Sammy em Seg Jun 11, 2018 12:03 am

AVALIAÇÃO
Hey! Hey! Hey! Sou eu, Sammy! E vou te avaliar nesta aventura. Meu bem que dom você tem pra escrever em hum, hum... Você tem maestria nisto e eu gosto de um bom enredo, ainda mais um bom enredo bem escrito, entende? Não gosto de Anti-heróis, nem de vilões, nem de violência, nem de palavrões e já dei muita nota Ruim por causa disto. Mas você soube equilibrar as coisas... Só que achei meio desnecessário a Nebraska(Adorei falar isso) querer matar o Pombo Gigante, sabe? Saiu um pouquinho da linha da noção, mas nada que altere sua nota. Sei que isto pode ser da natureza dela e blábláblá... Mas eu particularmente não gosto, isso vem de avaliador para avaliador sabe? Repetindo que nunca vou alterar notas de Enredos Bons e Escritas Magnificas por causa disso, okay? Porém, deixo bem claro que não concordo com qualquer violência gore pokémon... hehe. Ah! Antes que eu vá embora, eu amei o Hypno que fofinho... ownt... Todo tímido, sábio, todo todo sabe? Enfim passei dos limites, sua nota é:

Enredo: 5/5
Escrita: 5/5
Total: 10/10
Ótimo


Sneasel treinou bastante recebendo 3 Níveis subindo do Nível 8 ao Nível 13, além da pequena Assassina, seu companheiro Hypno também adquiriu 3 Níveissubindo do Nível 10 ao 13.


Pidgeotto foi pego com sucesso. Ele veio no Nível 13.


Hypno's HP: 50%
Sneasel's HP: 60%

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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Hermes em Qua Jun 13, 2018 11:51 pm

Pupa
Rota 34 (Scorched Forest) - Manhã

Com toda certeza a ida pela direita daquela trilha anterior foi a melhor escolha, ao longo do caminho havia sinais evidentes de que algum foco de incêndio estava por perto, já podia sentir o breve cheiro da fumaça, o calor aumentava consideravelmente e mais, no momento em que parei para observar atentamente o ambiente percebi que no meio de toda aquela imensidão vermelha havia um pequeno rastro de sangue, não era nada tão grave aparentemente, só gotículas dispersas ao longo das sebes de arbustos. É fácil constatar que alguém se machucou nessa "brincadeira" de apague o incêndio, contudo, sei que chamas não fariam aquilo, mas certamente que um animal nas condições em que os daqui se encontram seriam passíveis de tal agressividade.

—  Ozzy, dê uma olhada nisso... — Peguei uma pequena amostra daquele sangue, esfreguei entre os dedos e mostrei ao pokémon. — Não sei se é de humano, a cor e aspecto me parecem bem semelhantes. Hm... ei, você com esse narigão não consegue identificar para onde foi o vetor disso? Hehe

Não preciso nem dizer que o Hypno se sentiu constrangido pela brincadeira, e mesmo com seu jeito tímido conseguia reagir de forma bem adversa as provocações alheias. Enfim, ao invés de empregar o seu olfato, ele fez basicamente o mesmo procedimento que eu: Passou a mão sobre o sangue, esfregou entre os dedos, e só então o cheirou. Não podia esperar menos de um pokémon com forma humanoide, é comum que eles imitem algumas ações quando se está em crescimento com um humano. Fascinante. Obviamente que o que estava por vir era ainda mais surpreendente; após cheirar o elemento, Hypno valeu-se de suas habilidades psíquicas pondo em prática o que parecia ser uma amostra do Future Sight, ficou imóvel por alguns instantes e com seus olhos esbugalhados, pupilas contraídas e íris emitindo uma luminosa coloração rósea.

— Está prevendo o futuro... — Comentei abobado.

Era de fato um fenômeno impressionante, no entanto, não era algo que podia-se contar voluntariamente em cem porcento das vezes. A visão findava, Hypno ligeiramente agarrou o meu pulso e puxou-me de maneira apressada indicando a direção. Pela sua reação parecia que algo muito grave estava acontecendo, ou melhor, ainda estava por vir, hm? Resolvi acreditar nos seus instintos e saímos completamente da rota planejada, sem problemas, qualquer coisa utilizamos o Pidgeotto para dar a volta. Mesmo seguindo por outra estrada sentia que o fogo ainda estava próximo, menos mal, para que eu pudesse compreender melhor os eventos místicos dessa floresta era necessário estar perto dos pontos mais caóticos daqui, e francamente? Espero estar indo pra lá. Apressei o passo empolgado.

Atravessamos a mata rubra até chegarmos a um ponto onde o fogo fazia-se presente, estávamos na parte de cima de uma ribanceira e lá embaixo instalava-se a confusão: O incêndio avançava lentamente mesmo com todos os esforços dos civis. Pude notar uma brigada de bombeiros munidos de seus pokémon aquáticos, noutro passo estavam treinadores dos mais diversos tipos dividindo as tarefas entre conter os pokémon furiosos e salvar as espécies prejudicadas. Parecia cena de filme, fechei os olhos por um momento para ouvir a natureza cantando a melodia do caos, era glorioso. Não sou uma pessoa má, mas essas atribuições com tendências catastróficas ou melódicas me inspiram, sacou? Precisaria de muito dela para o que estava por vir. Ozymandias apontou o dedo para a mesma direção onde tudo acontecia, então é lá onde o portador de todo aquele sangue está? Só desci a ribanceira para conferir.

— Vamos Ozzy! Fique atento aos arredores.

De cima parecia tudo mais complexo, mas na prática não havia tanto desespero assim, tira-se pela fumaça que sequer estava densa ou escura. Assim que cheguei fui logo solidário em evitar que o caule chamuscado de uma árvore caísse sobre uma treinadora segurando-o com o Confusion do Hypno. Uma mão na roda esse pokémon! Quem precisa da encrenqueira da Sneasel?! Enfim, tentei ajudar o pessoal da melhor forma possível enquanto recolhia informações, afinal, meu objetivo ainda era prioridade. Meu auxílio veio por meio das intervenções psíquicas do Ozymandias, demos apoio a galera que já estava ocupada demais enfrentando os pokémon visivelmente possuídos e devo admitir que aquelas criaturas estavam pior que o Pidgeotto que enfrentei, pra piorar o calor abrasivo da estação não ajudava muito, era nítida a reação negativa dele aos pokémon com movimentos aquáticos que nem em grandes quantidades conseguiam conter o poder das chamas. Bem, ao passo em que ajudava tentava tirar proveito da situação para agregar as minhas pesquisas, de acordo com curtos, mas valiosos relatos, havia naquela região um pokémon que era soberano sobre as outras espécies e que talvez ele seja o real motivo de todo esse caos. Chamaram-no de "Pokémon Alfa".

— Pokémon Alfa? Acho que já li algo sobre isso... — O pior de tudo seria identificar qual daquelas espécies seria o Alfa. Pensando bem, aqui ainda está pouco convidativo para um pokémon desse porte, hm? Terei que pesquisar mais a fundo. — Ozzy, vamos! — Deste modo saí de cena e fui explorar o ambiente mais distante, consequentemente estaria ainda mais próximo do grande incêndio, mas se arriscar faz parte da vida de um grande aventureiro, não concordam?

Com um lenço improvisei uma máscara para reter os efeitos da fumaça, não era tão eficaz mas já bastava por enquanto. Hypno teve que voltar para a Pokéball, preciso conservar a sua saúde. Minha caminhada foi difícil, manter uma considerável distância do caminho das chamas era praticamente inútil uma vez que avançavam muito rápido... em algum momento o círculo vai se fechar e não quero estar no meio dele. — Certo, chegou a sua hora de ajudar Sentinela. — Assim liberei o Pidgeotto de seu cárcere, em seguida dei-lhe a Sitrus Berry para que pudesse revigorar a energia perdida do combate anterior. — Você é desse lugar e certamente conhece o Alfa, me leve até ele! — A ave esboçou um semblante de preocupação, mas assentiu ao comando que lhe foi expresso. Antes de mais nada voou para uma zona que considerou segura para mim, novamente, por enquanto. A floresta ia ficando mais densa conforme caminhava, até mesmo o voo do pássaro teve que baixar a sua precisão. No caminho, rastros da devastação, dessa vez a ação do que poderia ter sido o Pokémon Alfa: Inúmeras espécies machucadas, lares e alimentos corrompidos, só mesmo um animal preenchido com toda a energia maléfica para realizar tal feito.

— É possível que já esteja por perto... — Comentei. Dei com o braço estendido para a ave repousar, quanto mais poupasse forças, melhor. De repente o Pidgeotto sinaliza para algo que estava acima de nós, a coisa em questão revelava ser um pokémon inseto que visivelmente estava sob o domínio daquela estranha possessão. — Um Spewpa? Não é grande coisa. — Acho que preciso manter a boca bem fechada antes de falar qualquer besteira: O encasulado expandiu a sua capa expelindo uma porção de poeira cintilante que, diga-se de passagem, para além de ser um mecanismo de defesa natural, tem propriedades um tanto quanto urticárias. Foi movido pela ação do reflexo e graças a atenção do Pidgeotto que não fui totalmente atingido por aqueles esporos; mas coçava aqui e ali.

Infelizmente ele não era o único.

Como num plano bem arquitetado havia outro inseto pelos bastidores, um Scatterbug para ser mais exato. Este aproveitava-se de minha condição desestabilizada e lançava uma porção do tiro de seda na altura dos meus pés levando-me ao chão rapidamente. E cá estou eu mais uma vez contra a intervenção maligna da natureza.

- VS. Scatterbug & Spewpa -

— Aah suas pragas!!! — Bravejei. — Sentinela acabe com eles agora!!! — Um comando com fundo de ódio, francamente... não gosto de ser feito de idiota, mesmo que eu tenha merecido. A investida do Pidgeotto veio como forma de um Gust imediato justamente para que mantivesse aqueles insetos a uma distância consideravelmente boa para que eu pudesse me recompor da queda. Scartterbug foi atingido em cheio, por outro lado, Spewpa valia-se do Protect para evitar com precisão ao ataque, em seguida subiu pelo fio ao qual anteriormente desceu e saltou para outro galho de árvore, com alguns movimentos e poeira expelida depois... simplesmente sumiu de vista. Claramente mais um truque.

— Ora... quem essas pragas pensam que são, hein? Qual é Sentinela! Se só restou um então acabe com ele!

Até mesmo o pássaro foi capaz de me julgar mentalmente após esse comentário, está mais do que na cara de que o outro inseto não desistiria tão fácil assim e que aquele remanescente poderia ser parte do "plano". De qualquer modo, executou uma ação voluntária usando o Quick Attack para atingir o alvo único alvo antes que o outro resolvesse intervir. O ataque foi em cheio, Scartterbug era visivelmente um oponente frágil se comparado as outras espécies dessa floresta, mas estando corrompido o jogo era outro: Pidgeotto pode não ter notado no momento do contato, mas após a execução percebeu uma certa rigidez por todo o seu corpo, tanto que em certo ponto precisou resguardar o voo e estabilizar-se no chão.

— Não pode ser. Isso é...? — Sim, era; Stun Spore. A larvinha podia até estar debilitada após todos os impactos do pássaro, mas ela sabia a sua função naquela emboscada. Que esperta, hm? Com Pidgeotto sofrendo os efeitos da paralisia certamente que nos tornaríamos alvos mais "fáceis" por assim dizer. — Mas nem f*dendo que vou me submeter a essa humilhação! Qual é?! São só... Insetos! — Já livre das sedas atadas à minha perna, levei a mão no bolso procurando as Pokéballs da Nebraska e do Ozzy, assim que as consegui: Um ataque surpresa. Spewpa retornava por outro ângulo e usava a mesma jogada de antes para me desestabilizar, dessa vez nem mesmo o Sentinela conseguiu pressentir o oponente. O efeito urticário daqueles esporos foram mais efetivos que a última vez, num momento de desconcentração o Scatterbug usava o String Shot para furtar as Pokéball da minha mão, Spewpa ajudava-o jogando o corpo com Harden sobre mim para que novamente - e isso já está ficando irritante - fosse ao chão.

Éramos só eu e o Pidgeotto contra dois insetos maléficos.

Parei para analisar a situação, não estávamos em desvantagem levando em conta que Sentinela é de um tipo superior aos dois, só precisávamos utilizar ataques certeiros. Aquela possessão deixava os pokémon da Scorched Forest agindo pelo estopim do próprio instinto, devo considerar que por serem tipos relativamente vulneráveis esses dois pokémon precisem agir em conjunto para sobreviver no meio natural, de tal modo têm-se o dilema atual. "Relaxe e pense Adam... pense...", refleti comigo mesmo. Contar com a sorte era um fator crucial já que não sabia quando a paralisia dos membros da ave ocorreria, arriscar era preciso até que surgisse uma luz.

— Chega de joguinhos. Sentinela, tente usar o seu Gust mais uma vez e siga tentando...

A cena mais engraçada e possivelmente humilhante de tudo isso é ter que ver o pássaro sendo atingido pelos Tackles inconvenientes e tímidos do pequeno Scatterbug aproveitando-se da paralisia do alvo. Trinquei os dentes, Spewpa seguia com a mesma tática voltando ao status quo e desaparecendo entre a copa das árvores vermelhas. A coceira me deixava desconcentrado, mas parecia cessar num curto período de tempo.

Tempo...
O tempo...

— É isso!!! O tempo! Haha — Uma rápida conclusão clareava à minha mente. Livrei-me da urticária e fui de encontro as minhas Pokéballs mas já atento ao que estava por vir; um novo ataque surpresa. No outro plano, Pidgeotto também teve sorte na sua investida contra o Scatterbug, a paralisia cessava e pôde dar o seu melhor Gust contra o inseto derrotando-o com muita facilidade. Até que enfim a sorte nos sorriu, agora era esperar pelo timing perfeito para pegar a Spewpa em seu próprio jogo e inverter o placar! — "Se minha dedução estiver certa, o tempo é a única coisa precisa nesse plano. Spewpa tem os esporos naturais, mas seus efeitos são ligeiros então ela sai de cena e precisa retornar para lançar novos esporos, em outras palavras, ela sabe justamente o momento certo de atacar e bater em retirada!" — Refleti. — Sentinela, acima de mim!

E lá vinha ela, a adversária encasulada descia por um fio de seda num ângulo próximo ao que eu estava, pronta para mais um de seus ataques surpresa. Pidgeotto aproveitava o momento e usava toda a velocidade do Quick attack para romper o fio e provocar a queda do inseto, no entanto, mesmo com a rapidez adversária Spewpa protegia seu corpo envolto a energia do Protect que evitava os danos da queda, mas que por fim fazia o inseto estar exatamente onde queríamos: Em solo e a nossa vista.

— Hora de dedetizar! Sentinela, use Gust!

Nessa hora tudo poderia ter dado errado já que estávamos sobre a dependência da sorte: Pidgeotto ficaria ou não paralisado? Posso ter sido inconsequente em não cogitar essa possibilidade, mas felizmente para nós isso não aconteceu. A ave lançou o inseto para longe com o poderoso Gust suficientemente capaz de deixá-la fora de combate. Foi realmente um ótimo trabalho, Sentinela mostrou ser um pokémon muito valente frente as incapacidades, quanto a mim, preciso mesmo aprender a nunca subestimar os oponentes por menor que eles sejam.

*  *  *

Após aquele breve combate me certifiquei de deixar a dupla de insetos inconscientes num lugar consideravelmente seguro sugerido pelo Pidgeotto, afinal, eles não tinham o porquê pagar pelo incêndio provocado pelo desatino do Pokémon Alfa. Saímos daquela região seguindo uma trilha que nos levaria para o coração da Floresta Chamuscada, é claro que durante o percurso novos desafios surgiriam sendo eles pokémon possessos ou as próprias consequências das chamas. O fato é que depois de todo esse inconveniente voltei a pensar na hipótese de hoje cedo: Afinal, de quem era aquele sangue? Hypno me levou para uma direção e acabamos nos distraindo quando ajudei aqueles civis. Fico me perguntando o que o futuro me reserva nestes eventos? Será que Ozzy viu algo sob caráter de urgência? São tantos mistérios e sugestivas deduções que só aumentam o meu tesão por explorar cada canto deste lugar. Mais do que nunca eu quero encontrar o Pokémon Alfa.

Dados: Dois Pokémon
Gastos: 1x Sitrus Berry no Pidgeotto
Adendos: Penso que nenhum.

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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Apollo em Qui Jun 14, 2018 4:23 am

AVALIAÇÃO
Boa noite! Irei lhe avaliar e espero que goste de minha análise crítica. Comparando a sua postagem com as anteriores, essa foi um pouco mais curta e corrida. Pude notar essa correria na hora que Adam encontra outros treinadores e bombeiros que estavam cuidando do incêndio, onde a narrativa nesta parte ficou um tanto quanto rasa. Sua escrita está impecável como sempre, ainda me dando aquela sensação incrível que me faz sentir como se eu estivesse dentro de um livro.

Gostei da forma como você utilizou os seus Pokémon, utilizando os movimentos psíquicos do tímido Hypno inicialmente para levá-lo até o centro da confusão e depois utilizando os mesmos poderes para salvar uma treinadora. A forma que o Pidgeotto agiu foi até que interessante, utilizando os seus conhecimentos sobre a própria casa para guiar seu novo treinador, porém achava que você poderia ter explorado um pouco mais o seu mais recém-capturado Pokémon, que demonstrava anteriormente uma personalidade territorialista e agressiva.

Este fator sim me fez mudar um pouco sua nota final, pois achei um tanto inconsistente um Pokémon recém-capturado — e que demonstrava um comportamento agressivo, devido aos efeitos misteriosos na Scorched Forest — já ter formado um laço amigável com o seu mais novo treinador. Ao meu ver, seria mais coerente explorar uma personalidade um pouco mais rebelde e independente de Pidgeotto.

O combate foi interessante, de fato. Os problemas enfrentados por Adam e Sentinela me pareceram muito reais. O ego de Adam fez com que tivesse problemas enfrentando dois pequenos insetos — Scatterbug & Spewpa — e acredito que no final ele tenha aprendido uma boa lição: para que não menospreze os seus oponentes.

Enredo: 4/5
Escrita: 5/5
Total: 9/10
Muito Bom

Pidgeotto subiu 2 níveis, chegando ao nível 15.
Pidgeotto encontra-se levemente cansado e encontra-se com dificuldades para movimentar-se devido aos esporos paralisantes.
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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Hermes em Sex Jun 15, 2018 2:10 am

Aterui
Rota 34 (Scorched Forest) - Manhã

Após os conflitos anteriores tomei um caminho que levaria direto para o coração da Scorched Forest, o lugar onde provavelmente estaria o Pokémon Alfa considerando o nível de destruição até aqui. Apesar de todos os percalços, eu estava bem, os focos de incêndio não foram o bastante para me desestabilizar e devo agradecer ao Sentinela também por me manter numa rota segura, inclusive, dessa vez tive que poupá-lo de maiores esforços uma vez que os esporos paralisantes ainda estavam em vigor no seu organismo. Minha companhia dali em diante seria novamente o Hypno que, descansado, já podia me auxiliar durante os eventos da rota 34.

Até que...

— Espera um pouco, aquilo ali são Cheri Berries? — Sinalizei ao meu companheiro apontando a direção certeira onde os frutos estavam. — Bacana! Vamos ver se conseguimos uma.

Esse tipo de fruto é conhecido por conter nutrientes que neutralizam o retardo acometido pelo efeito paralisante de determinados elementos. Isso vai ser ótimo para o Sentinela! Parece que seguir por este caminho veio a calhar, mas algo ainda deixava o ambiente deveras estranho, em certo momento já não ouvia mais a sonoridade das chamas e do holocausto que se instalou noutras partes da floresta; me pergunto se avancei tanto a ponto de estar distante daqueles colaboradores, todavia, ainda podia sentir o odor da fumaça que vinha acompanhada nas brisas daquela manhã ensolarada. Enfim, voltando aos frutos...

— Me parece muito alto, e eu não vou subir ai não! — Meu receio veio a partir do histórico de inconvenientes num curto período de tempo nesse lugar, a começar pelo súbito ataque do Pidgeotto. Foi então que o tímido Hypno tomou a dianteira da situação e me surpreendeu com mais uma de suas céleres soluções. O narigudo ficou a uma certa proximidade da árvore, focou num ponto específico, em seguida deu com uma forte cabeçada no caule provocando um abalo suficiente para que não só a Cheri Berry caísse, como também porções dispersas de folhas que voavam com o vento, e outros frutos que sequer estavam maduros. — Caramba Ozzy, isso foi fantástico! Devo reconhecer que capturá-lo foi uma das melhores coisas que fiz na minha jornada. — Acariciei o topo de sua cabeça, o que o deixou visivelmente envergonhado, e peguei a frutinha caída no chão. Mas bem, acontece que não foi só ela quem caiu de madura por ali... A nossa frente estava um pokémon que revelou-se conforme as folhas saíam de cima de si, e a julgar pelo seu semblante não parecia nada confortável com aquele susto.

— Essa não, é um Pineco! Corre!

Minha reação não podia ser outra, e não pra menos, conhecendo essa espécie é comum que quando estão em estado temperamental eles simplesmente explodem, literalmente. A julgar pelo aquecimento repentino daquele Pineco ele certamente usaria o Self-Destruct como forma de retaliação. Felizmente o Hypno foi mais veloz, de novo, usando suas habilidades psíquicas para lançar o inseto a uma distância favorável de nós por meio do Confusion; uma reação de reflexos bem apurados, diga-se de passagem. Estaria ele evoluindo seus atributos conforme convive comigo e os outros pokémon? Bem, a julgar pelo seu notável nível de inteligência não me surpreende que tenha aprendido tanta coisa em tão pouco tempo. Graças a ele conseguimos nos safar da explosão, Pineco provocou o seu próprio estado de exaustão após utilizar toda a sua energia naquele movimento, não foi a melhor das batalhas mas serviu de apontamento para o desenvolvimento do Ozymandias.

Com a Cheri Berry em mãos, tratei logo de invocar o Sentinela e dar-lhe o fruto para que cessasse a paralisia de seus membros. Não era de ação imediata, levava algum tempo para se recuperar, e pensando bem, tanto ele quanto eu precisávamos dessa pausa, hm? Alimentado, retornei a ave para a esfera bicolor, em seguida Hypno puxava a bainha da minha calça e apontava para determinada direção com euforia. — O que tem lá, Ozzy? — Indaguei. Ele não ficaria desse jeito se não fosse algo muito importante, foi daí que me lembrei dos eventos anteriores... o sangue e a possível visão que ele teve a respeito. Seria o Pokémon Alfa? Já não conseguia identificar mais vestígios de sua presença, precisava retomar o jogo. Acatei a sugestão do narigudo e seguimos para o norte.

Ao longo da caminhada pude perceber que o contraste daquela floresta aos poucos ia se configurando para algo mais harmônico e natural daquele lugar: A paisagem caótica e cinzenta provocada pelas chamas dava espaço para o deslumbrante vermelho vivo de uma mata em condições visivelmente saudáveis. Boquiaberto, só conseguia expressar a confusão mental; como aquela parte da Floresta Chamuscada não fora afetada pelo incêndio? Ação da misteriosa magia, talvez? Enfim, as suposições foram silenciadas após eu ficar frente ao que parecia um extenso corredor rubro, era como visualizar um tapete vermelho estendendo-se por todo o solo, acompanhado das árvores segmentadas pelas laterais e todas surpreendentemente da mesma altura. Era mágico, e se por alguma razão verídica não houvesse magia, então eu só desejaria que meus olhos não perdessem o encanto de ter essa visão.

— É incrível... — Balbuciei, observando meus pés desaparecerem em meio àquelas folhas avermelhadas compondo um tapete natural; um fenômeno de quase outono. — Era isso que queria me mostrar, Ozzy? — O pokémon nada disse, apenas seguiu e parou frente a uma das árvores locais, era enorme. Sentou-se sob ela e me convidou a sentar do seu lado. Assenti. Era como estar numa cama aconchegante, o clima de verão deixava aquele canto específico da rota sugestivo para um bom descanso, afinal de contas, era o que eu estava precisando no momento. Não demorou muito para que meus olhos se fechassem embalando-me num breve cochilo.

*  *  *

Após um merecido tempo de repouso, meus olhos abriram-se rapidamente processando a situação como que quem tivesse deixado alguma obrigação pendente e assim. Na verdade foi apenas uma reação de susto, não pelo receio de estar ali vulnerável, e sim por um som que ousou quebrar todo o silêncio misteriosamente angelical daquela rota. E não era um som qualquer! Era a voz de um humano, um homem para ser mais exato, e ele estava bem a minha frente naquele momento.

— Muita coragem sua dormir aqui, jovem. — Disse com sua voz grossa e levemente rouca. — Não tem medo que algo lhe aconteça? A julgar pelos eventos recentes dessa floresta... — Concluiu.

Levantei num súbito já fechando o cenho para o visitante inesperado. Este era um homem alto, um senhor já, usava um traje tradicional, um tipo de quimono branco e preto por assim dizer. Tinha cabelos longos e avermelhados, num penteado fino dispondo de uma única trança. Os pelos do rosto também eram de mesma cor, a barba grossa e bem feita somadas ao olhar com cicatriz marcante compõem uma feição séria e intimidadora. O velho tinha estilo e combinava perfeitamente com aquele lugar.


— Acalme-se, não vou lhe fazer mal algum. Me chamo Aterui, sou apenas um velho sábio perambulando por ai... — Sua apresentação acaba por livrá-lo de uma figura ameaçadora, o senhor conseguia transmitir confiança em seus dizeres, mas mesmo assim tive que manter a cautela.
— Sou Adam, muito prazer. — Respondi a mesma altura e educação. Em seguida já fui logo disparando uma sequência de questões, afinal, era no mínimo estranho sua presença por aqui. — O que faz nesse lugar? Como me encontrou? Você não ia me aliciar, não é?!

O velho danou a rir com todas essas perguntas desesperadas, estava tão relaxado com a situação que até sentiu a necessidade de acender o cachimbo que levava consigo. Levou o objeto de cano longo e fino à boca, e prosseguiu com a conversa.

— Eu já disse que não faria mal a você, jovem, nem a você, nem a ninguém dessa floresta. — Riu roucamente e voltou o cachimbo aos lábios, só agora que a fumaça começava a sair dele... quando foi que o acendeu? —  Já falei que sou um velho sábio, um aposentado que busca a vivência dos seus dias nas mais diversas experiências. Nunca é tarde para isso, não acha? Hmhmm.

Tragou, lançou a fumaça tão sutilmente sobre meu rosto que nem percebi.

— Mas e você jovem, o que fazia parado ali? Não sabe que esse lugar corre grande perigo? Devia ficar mais vigilante...
— É eu sei disso! — A este ponto já tinha jogado mais fumaça na minha direção, e mesmo que eu tentasse mudar de lugar ele continuaria. Francamente, achei que o velho fosse mais educado. — Ao contrário dos outros tenho meus próprios objetivos.
— Um explorador, hm? — Indagou ligeiramente o fumante.
— S-sim... Espera, como sabe disso?
— Ha ha ha, conheço bem quando vejo um. A sede de aventura está estampada na sua cara. O mistério desse lugar te instiga, não é mesmo, Adam? — Pesou a voz no final de sua fala ao passo em que esfumaçou mais daquele fumo. — Neste caso, lhe contarei uma história. Presumo que goste de histórias, hm? Tenho uma que vai lhe servir e muito.

Embora ele fosse um tanto quanto inconveniente, principalmente na hora de liberar o produto do cachimbo, confesso que seu papo conseguiu me cativar em pouco tempo, o senhor Aterui parecia ser um homem de muitas experiências de vida, certamente que seu conto não seria decepcionante. Desde que fez-se presente acabei me envolvendo a sua figura, tanto que esqueci que o Ozymandias ainda estava ali naquele cenário, mas o mesmo não despertou como eu - é melhor que descanse mais, ele merece. Foi ali mesmo naquela imensidão de folhas vermelhas onde nos sentamos para que ele pudesse compartilhar a sua história comigo.

— Certo, preste bem atenção pois o que vou te contar é sabido por pouquíssimas pessoas no mundo todo, jovem Adam. Pessoas dedicadas assim como você. — Pausou, tragou e prosseguiu:

"—  No passado essa floresta, a Floresta Chamuscada, tinha um rei, um soberano, mas que não exercia a sua função com egoísmo e superioridade, ele era compassivo e sabia liderar. Naquela época o lugar já era conhecido pelo seu nome, sobretudo pelo seu rei que era um Pokémon muito poderoso. Venceu inúmeras batalhas em nome dos habitantes daqui e consolidou a sua fama e temor, mas com o passar dos anos a ambição do homem se tornou o seu maior rival, a cabeça do rei foi colocada a preço, longas e incessantes temporadas de caça instauraram-se nesse solo, devastando o ambiente e desequilibrando o ecossistema. De forma assustadora o rei foi perdendo parcelas valorosas de seus aliados, ele sabia por meio de outras fontes que o ser humano tinha uma força imbatível e que a natureza tinha sucumbido a sua glória forjada a ferro e fogo. Tendo em vista a situação deplorável do seu 'reino', os inimigos despertaram a fúria do soberano que prometeu derruba-los com um poder de fogo superior aquele que seus obstáculos detinham. Foi a última batalha em que se fez presente, sabia que para banir todos os males da influência humana teria que praticamente se sacrificar, e assim o fez. O Rei expeliu todos os seus poderes contra aquela ameaça, causando uma onda flamejante que alastrou-se por todo o perímetro da floresta; houve então o maior evento incendiário da região, aqueles que contemplaram chamaram-na de "As Chamas da Origem", o fenômeno responsável por varrer não só os inimigos, como toda e qualquer outra vida que habitava esse lugar. A guerra acabara, as ameaças cessaram pois não havia mais o que se explorar por aqui, na teoria o soberano não existia mais, tornou-se uma lenda; mas na prática... Dito antes, ele era um rei compassivo, deu sua própria vida pelos seus representantes. Se para os humanos aquela ação foi interpretada como suicida, para os pokémon foi tida como seu último ato de coragem e amor. As Chamas da Origem foram as responsáveis por trazer de volta a vida e prosperidade nesse solo, e mais, qualquer criatura nascida na Floresta Chamuscada agora jamais iria sucumbir as ameaças iminentes, pois, em seu corpo correria o sangue e em suas almas estaria a bravura do vosso eterno Rei, uma ótima herança, não acha? E isso não é tudo! Pois a Floresta só se reergueu graças a uma misteriosa árvore localizada exatamente no centro dessa mata. Os nativos batizaram-na de "Igfenus, a Árvore de Sangue", isso porque sua coloração é mais rubra e vívida que as demais, e curiosamente suas folhas liberam um pigmento semelhante ao sangue. Reza a lenda que ela é a árvore mãe, a mais antiga da rota 34 e que foi dada de presente pelo lendário Rei como prova de demarcação e autonomia desse lugar. Os mais familiarizados com a crença acreditam que Igfenus é a manifestação natural do espírito dele, outros afirmam que ela é o símbolo que mantém a magia do rei viva na floresta. Enfim, sabe-se apenas que é muito antiga e é considerada atualmente como um patrimônio cultural de Aurille, sendo holofote até mesmo de algumas cerimônias e eventos de cunho folclórico".

Após aparentemente concluir a sua história o homem dava uma longa pausa, respirava fundo e voltava a fumar o seu cachimbo esperando alguma reação de minha parte. Não preciso dizer que estava maravilhado com toda aquela informação, digo, era tudo tão bem explicado que eu literalmente não cogitava a possibilidade de ser mais uma dessas histórias inventadas. Foi um conto passado com muita segurança do início ao fim. De fato, já tinha lido livros sobre a lenda, mas nada que chegasse a um resultado tão bem detalhado e próximo a esse. Para mim, foi como achar o pote de ouro ao fim do arco-íris.

— É meu jovem, você pode falar alguma coisa agora, hm. Haha — Caçoou, em seguida levantou-se, limpou suas vestes e deu com a mão para apoiar o meu levantar.
— F-foi uma história incrível, Senhor Aterui. — Era incontestável o meu estado de euforia, e o melhor ainda estava por vir: A próxima informação aguçada pelo homem aumentaria as minhas expectativas.
— Presumo que agora já saiba o que fazer em relação ao Pokémon Alfa, certo? — Esfumaçou.

Então ele sabia do Pokémon Alfa? Mas é claro! Era um exímio sábio, afinal. Confesso que tentei ligar os pontos... Provavelmente aquele sangue que vi anteriormente era produto da pigmentação das folhas da Igfenus, mas enquanto ao Alfa... Não sei o qual a função dele nessa história. E todo esse incêndio? Aquelas revelações me perturbaram o raciocínio.

— Aarh, esquece, eu direi. O Alfa é um pokémon corrompido, Adam. A magia do Rei reage de forma rigorosa contra esses pokémon. Em outras palavras, entenda a situação como um organismo vivo cujo o vírus é o Alfa, deste modo é comum que o organismo crie anticorpos para repelir o vírus, certo? — Baforou mais uma vez.
— Tá, mas e toda essa revolta dos pokémon? E os incêndios? Isso não faz sentido... — Indaguei em confusão.
— Pense bem, jovem. Um pokémon corrompido traz desequilíbrio a uma magia cujo propósito é manter tudo assegurado. Os pokémon estão reagindo dessa forma porque há um fator negativo presente nessa floresta... lembra-se dos humanos contra o rei? Então, a situação é quase a mesma, a diferença é que dessa vez os humanos tentam ajudar mesmo não compreendendo que todas as represálias das espécies não são por querer, e sim por interpretarem que qualquer intruso seja uma ameaça em potencial.

Agora as coisas começavam a se encaixar, me envergonho por não ter deduzido tudo sozinho. De qualquer modo, meu sangue fervia mais do que antes, meu corpo estava descansado e eu precisava de uma vez por todas por um fim a essa questão. Estávamos no caminho certo, agora era hora de avançar e prosperar! Virei-me para o Hypno adormecido aos pés da árvore e o despertei para que junto a mim seguisse rumo ao júbilo de uma grande conquista. O pokémon acordava e dessa vez com o mesmo gás que eu; estávamos em constante partilha de emoções. Quando me virei para falar com o velho Aterui, ele havia...

Sumido.

No ambiente só restara a fumaça de seu cachimbo que ia se dissipando conforme o vento voltava a soprar naquele cenário. Era no mínimo estranho que tenha desaparecido tão de repente, mas devo considerar que sua visita foi de grande valor para agregar aos meus conhecimentos. Mal podia esperar para fazer todas as anotações possíveis daquela aventura, faço questão de eternizar tudo em registro próprio. Por deus, estava tão empolgado que nem me senti aborrecido pela ida de Aterui sem sequer uma despedida. Foi quando Hypno, um tanto confuso com a minha reação, foi até o local onde o velho estava de pé, passou a mão sobre as folhas rubras e recolheu o que parecia ser uma Potion. Esbocei um singelo e significativo sorriso de canto, então aquela seria a sua manifestação de despedida e boa sorte, hein? Que esperto. Não sou de fazer cerimônias, o meu sentimento de gratidão é intimamente verdadeiro. Guardei o fraco em minha mochila e convidei Ozymandias a seguir comigo até o fim daquele corredor florestal cujo próximo destino era nada mais, nada menos que Igfenus, a árvore de sangue.



Dados: Cheri Berry, Potion, Headbutt
Gastos: A Cheri Berry no Pidgeotto.
Adendos: Nenhum :)



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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Sammy em Sex Jun 15, 2018 12:01 pm

AVALIAÇÃO
Ei! Boa tarde ou Bom dia! Provavelmente boa tarde porque vou postar isso lá para as 12:00. Enfim! Garoto, você é simplesmente... Genial! Ownt... Porque não sou dotada de tamanha escrita? Que enredo maravilhoso! Da vontade de pegar toda a aventura, colocar em um potinho e deixar na estante! Sério! Você é um arraso.

Elogiar sua aventura é algo que eu SEMPRE VOU FAZER, eu simplesmente a adoro e nunca vou esconder isso.  Apesar da batalha não ser considerada uma batalha, vou puxar seu saco e considera-la uma batalha, podem me julgar! O Ozzy vai ganhar Nível sim! Ahaha. Mas agora falando sério, da próxima vez faz algo mais compridinho sabe? Sério, só pra evitar certos... Enganos? É enganos. Agora vamos falar sobre números:

Enredo: 5/5
Escrita: 5/5
Total: 10/10
Ótimo!

Ozzy, o Hypno subiu 3 Níveis, adquirindo assim o Nível 18. O mesmo aprendeu Poison Gas. Sentinela amoleceu seu coração sentindo uma grande gratidão, ele foi curado da Paralisia com uma Cheri Berry.

Adam encontrou uma Potion! Que sortudo...

Hypno's HP: Ele está feliz e animado, embora não demonstre isso. Mas também está com muitas dores de cabeça.

Pedimos desculpas pela demora na avaliação! :)

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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Hermes em Seg Jun 25, 2018 2:09 pm

A Árvore, a Donzela e o Demônio
Rota 34 (Scorched Forest) - Entardecer



- Hachiko -

"Há muito tempo na antiga Aurille, existiu uma bela donzela que residia numa vila onde imperava os costumes e tradições orientais, eram extremamente doutrinários e expressavam convicção em suas crenças. Acontece que, mesmo naquela época a moça já demonstrava apreço por qualquer coisa que fosse diferente do que costumava testemunhar em sua vila. Certo dia, numa de suas jornadas diárias além da floresta, viu uma criatura caída no leito de um rio, era um Ninetales e sua pelagem era escura como a noite, embora o brilho se destacasse com a luz da manhã. A raposa estava ferida e desacordada, então a doce mulher resolveu levá-la para a sua casa e cuidar dos ferimentos provenientes de uma possível briga entre espécies.

O dócil animal correspondeu ao zelo da humana dando-lhe a melhor de sua educação, não rosnou, não tentou fuga e nem tampouco arriscou machucá-la com ataques - Algo que normalmente se espera de um pokémon selvagem, ainda mais para aquele tempo. Enfim, com alguns dias de cuidados a raposa e a donzela se tornaram grandes amigas, deu-lhe o nome de Hachiko, uma nomenclatura que embora não signifique "Cinzas", para ela surtia como algo equivalente. Infelizmente toda aquela relação devia se limitar aos perímetros de sua propriedade, pois para o povo de sua vila, conforme a crença, criaturas de pelagem escura são tendenciosas aos males, seres enviados pelos demônios para trazer desordem e infertilidade ao solo e as gerações. A donzela não queria arriscar, lutou para que sua amizade fosse mantida em segredo, porém, o Ninetales ainda era jovem e hiperativo, hora e outra cometia deslizes nas condições impostas por sua parceira e numa dessas acabou se revelando para um vizinho. Os boatos correram mais rápido que fagulha em palha seca, logo toda a população sabia da existência do pokémon que para eles era tido como um demônio, ou em sua língua: um Yokai. Foi então que visando a proteção de seu amigo, a donzela cruzou parte da região e levou a raposa até a Floresta Chamuscada onde lá, exatamente aos pés da Igfenus, pediu que Ninetales ficasse por um tempo até que seu sumiço despistasse o povo enfurecido. O animal acatou as ordens, antes de partir a donzela intercedeu por seu amigo pedindo bênçãos de proteção para o espírito do rei que jazia naquele lugar. Usando um objeto pontiagudo, cravou o nome de seu amigo no caule da majestosa árvore de sangue.

—  "Ha - Chi - Ko", pronto! — Disse finalizando a talha com um belo sorriso no rosto e recebendo os afagos da raposa. — Sempre que se sentir confuso, olhe para esse nome e lembre-se do nosso trato: Você não pode sair daqui, eu virei te buscar. Me prometa, Hachiko. Este será o símbolo do nosso acordo, sim?

Não houve momentos para despedidas sentimentais, ela precisava voltar a vila para contradizer quaisquer acusações, mas, ao chegar lá, mesmo com toda a tentativa de se explicar sobre o ocorrido, a donzela sofreu as represálias da sociedade sucumbindo a sentença de herege. Infelizmente Ninetales nunca voltaria a ver sua amiga novamente, mas o animal foi fiel até na hora de sua própria morte; Esperou pela donzela por toda a sua vida mantendo o receio de quebrar o trato para não ter que arruiná-la outra vez. A espera foi a sua obstinação, mantinha-o tão vivo que nem percebeu ao perecimento silencioso que lhe sucedeu".


*  *  *

O fim da minha jornada pela Floresta Chamuscada estava próximo, eu podia sentir isso e era nítido, afinal, estávamos mais perto do encontro com o Pokémon Alfa, aquele que possivelmente trouxe desordem a este lugar. Antes de avançar aproveitei a calmaria desse corredor de árvores escarlates e apliquei sobre Ozzy a Potion que ganhei de Aterui horas atrás, espero que com isso ele melhore da dor de cabeça. Sem mais delongas, seguimos para a direção norte onde lá estaria a imponente Árvore de Sangue. Durante a caminhada percebíamos que aquele corredor arbóreo ia ficando mais estreito conforme avançávamos, consequentemente a mata ficava mais densa e escura, os raios solares daquele entardecer atravessavam as poucas frestas nas copas das árvores e iluminavam o caminho, felizmente o tapete de folhas vermelhas era o fator que nos ajudava a seguir a trilha sem problemas de visibilidade. Ozzy puxava a bainha da minha calça timidamente, apontava a quantidade súbita de neblina que surgia no ambiente; Não precisava temer, esse nevoeiro só podia indicar uma coisa:

Chegamos até a Igfenus, a famosa Árvore de Sangue.


(Meramente Ilustrativo)

Encontrava-se numa enorme clareira onde dispunha-se no centro dela, imponente como já imaginava. Alta e bastante farta, suas folhas se destacavam entre as demais sendo de um vermelho vívido, brilhava maravilhosamente em contato com a luz solar. A neblina nesse ambiente era um pouco mais densa, o que é estranho pois em pleno verão tal fenômeno se dá apenas pelo início da manhã e não ao entardecer. Confesso que esperava uma cena mais caótica, algo pior que os focos de incêndio pela floresta, mas não... Tudo parecia muito tranquilo por aqui, tirando a névoa que dificultava ocasionalmente a visibilidade. Liberei Sneasel e Pidgeotto, enquanto a ave pousava no meu braço estendido, o gatuno de gelo olhava-me com uma cara de paisagem, provavelmente ainda sob os efeitos da Soothe Bell. Tudo bem, tudo bem... Eu tive que tirar, afinal se o Alfa realmente estiver aqui precisarei da Nebraska em seu modo de atividade. Feito isso, pedi para que Sentinela abrisse o caminho pra nós com suas lufadas de vento com o fim de dissipar parte daquele nevoeiro. Finalmente o campo de visão estava mais aberto, o pássaro sinalizava para algo além do era possível pra mim, noutro passo Ozzy compartilhava da mesma observação, já Nebraska arqueava suas garras denunciando uma posição de ataque.

— O que houve? Ainda não consigo ver... — Mesmo forçando as vistas não captava nada além da intensa luz solar que subitamente pairava por detrás da Igfenus, até que num último ato de ventania da ave conclusivamente pude ver, e bem, eu não era o único a observar, pasmem, a criatura observava de volta. Ao longe só pude ver o brilho do par de olhos vermelhos como rubis me encarando, e mesmo com a distância notei seus pelos ouriçados tal como as belíssimas nove caudas se mantinham em posição de alerta. Majestoso, lá estava ele, Ninetales, o Pokémon Alfa.


(Pokémon Alfa)

Minha reação de surpresa não era pela espécie em si, e sim pelo o que meus olhos demoraram para perceber e crer! Aquele pokémon tinha uma coloração completamente diferente dos demais, não era de pelos bege claro, nem tampouco acizentados como sua variação; eram escuros. Na ponta de suas nove caudas tinha uma mesclagem em cor carmim, para além disso me parecia bem maior que qualquer outro do seu tipo, mas que por fim não transparecia tão ameaçador assim, estava sentado e aparentemente cansado por algum motivo. Acontece que, no primeiro passo que dei, ele reagiu, levantou-se prontamente e passou a rosnar mostrando para o que veio; parei imediatamente. Aqueles olhos de um vermelho incondicional traduziam mais de suas intenções do que suas próprias caudas, senti meu corpo paralisar por um instante, eles estavam vidrados em mim e senti como se tudo ao meu redor estivesse em chamas; e estava. Mas como?! Momentos atrás éramos só eu, meus pokémon, extensos tapetes de folhas vermelhas e insistente neblina, como esse fogo chegou aqui de repente?! Fiquei nitidamente assustado e somente Ozymandias foi suficientemente capaz de perceber, afinal de contas pra ele e os outros as chamas sequer existiam, era apenas um truque mental da raposa sobre mim.

- VS. Alfa Ninetales -

Nebraska foi a primeira a agir, mesmo com a refuta de seu parceiro narigudo, a felina desmerecia qualquer esforço que eu tenha tido pra chegar aqui, ou até mesmo o atual estado que me encontrava, valeu-se de sua independência e avançou pela neblina com movimentos velozes para desferir um Quick Attack no alvo, porém, mesmo com toda a eficácia do animal sobre o ambiente, por algum motivo não conseguiu obter sucesso em sua investida direta. Pode-se dizer que Sneasel entrou num estado de fúria profunda uma vez que Ninetales não moveu um centímetro de seu lugar, bem, ao menos com a proximidade ela pode perceber o tamanho descomunal da raposa em comparação ao seu, o que pra ela seria um privilégio diga-se de passagem. Vendo que o adversário nada fez, Sneasel emplacou com um novo Quick Attack visando um êxito maior já que estava mais perto, só que novamente o ataque não surtiu efeito algum, era como se Ninetales fosse... intangível.

Nebraska acrescia a sua fúria e resmungava próximo a Igfenus, foi aí que a raposa começou a mudar de comportamento. Saiu de sua posição atual, fechou o cenho e esboçou claramente uma expressão de raiva, até então não tinha a felina como adversária plausível, mas parece que a situação tinha pendido um pouco para o pessoal, mas por quê? Aproveitando-se de sua posição, Ninetales respirou e inspirou uma grande quantidade de chamas sobre a Sneasel, que por muito pouco conseguiu desviar, porém, o Alfa estava com o clima a seu favor e demonstrava vigor em manter aquele Flamethrower ativo por mais tempo do que efetivamente precisa; uma coisa é certa: Hora ou outra Sneasel seria pega pelas poderosas chamas, elas ficavam ainda mais intensas quando o pokémon de gelo chegava perto da árvore ou pior, tocava.

Voltando a mim, ainda estava sob o poder de confusão do Alfa, decerto que usou das propriedades do Confuse Ray para me iludir, o que me assusta é o modo simplório e imperceptível que foi empregado, é como se já tivesse alguma maestria sobre esse movimento. Enfim, continuava a ver fogo por todos os lados e de acordo com as minhas reações de agonia, o cerco de chamas estava se fechando. Foi então que um súbito soar de sinos desestabilizou a confusão e despertou a minha consciência, parecia o tintilar da Soothe Bell e realmente era! Ozzy estava portando o item consigo e utilizando deste para me livrar da ilusão. Mais uma vez o tímido pokémon psíquico valeu-se de sua astúcia usando o Switcheroo para trocar o seu pêndulo pelo sininho que estava no meu bolso, em seguida tocou ele próximo a mim.

— Ahn... caramba, o que foi que aconteceu? — O despertar foi rápido, bastou pouco tempo para voltar e discernir a situação. — Valeu Ozzy, você é o cara! Agora vamos meter bronca nesse Alfa. Vem Sentinela!

Avancei para o antro da batalha entre Ninetales e Sneasel, a felina estava cheia de si pois até então desviou de todos os ataques de seu adversário, já a raposa não parece ter se cansado. Ao perceber que eu finalmente estava por perto voltou a me olhar com aquelas reluzentes orbes rubras, só que dessa vez o raio não cairá no mesmo lugar! Sentinela foi mais rápido em intervir usando Sand-Attack e comprometendo a visão do pokémon de fogo que imediatamente rugiu em fúria. Era a oportunidade certa para atacar! Dei comandos de ofensiva para Ozymandias e Sentinela, Headbutt e Quick Attack respectivamente. Noutro passo, Nebraska tentava avisar sobre os efeitos inalcançáveis desses ataques, mas precisei ver por mim mesmo e ficar sem acreditar no que meus olhos acabaram de presenciar. Me pergunto se era outra forma de ilusão... muito provável. Nenhum dos movimentos surtiram efeitos na raposa, agora todos os pokémon estavam em locais muito próximos a ele, e isso não era nada bom. Com os olhos abertos outra vez, Ninetales buscou utilizar seu Flamethrower contra a dupla mais perto de si, Hypno e Pidgeotto, no entanto, Sneasel foi mais veloz e no exato instante em que as chamas ousavam ser expelidas, ela esmurrou a face das nove caudas com seu Ice Punch pouco efetivo evitando que seus parceiros fossem atingidos, mas que por consequência foi compelida pelo fogo. Posso dizer que não foi um tipo de reação que eu esperava dela, tenho certeza que ambos estão agradecidos, Hypno e Pidgeotto recuaram ficando aos pés da Igfenus.

— Nebraska!!! — Bravejei. — Sentinela, nos dê cobertura!

Meu objetivo era resgatar a minha parceira já que seu ímpeto de coragem valeu todo o seu esforço em deter o Alfa de forma independente. O pássaro cruzou o campo afim de agarrar a Sneasel e sair do alvo de Ninetales, não obstante, Hypno capturava a raposa numa armadilha um tanto quanto ardilosa e inesperada: Disable. Num único estalar de dedos a criatura escura via-se cercada por uma aura roxeada que inabilitava seu poder de fogo instantaneamente. Com a abertura certa, o resgate não tinha como ser infalível! Mesmo assim, quais outros truques aquele pokémon Alfa seria capaz de fazer? Independente do que viesse não seria nada bom, pois, ao ter sua força limitada viu-se na obrigação de acrescer seus ideais munindo-se com o Nasty Plot — O movimento surtia de modo diferente nele, parece que os pensamentos nefastos tornava-o... maior? Sim, e não era uma ilusão dessa vez. Os olhos de raiva ganhavam um vermelho intenso, os pelos negros do corpo ouriçavam-se ainda mais e suas nove caudas balançavam de forma inquietante como se fossem fagulhas das próprias chamas do inferno. Aquele tapete de folhas naturais abaixo de nós levantava-se conforme o poder da raposa era potencializado, no entanto as folhas abaixo dele sequer se moviam ou eram marcadas com pegadas... que estranho.

— Está ficando mais forte... Precisamos detê-lo antes que ele volte a usar seu poder de fogo, beleza? Vamos time! — A estratégia agora seria avançar com tudo o que tinha, infelizmente não seria grande coisa, ainda mais com a baixa da Sneasel, mas já tínhamos chegado tão longe para desistir tão fácil, é inadmissível. Se é este o pokémon responsável pelo desequilíbrio místico desse lugar, então ele precisava ser resolvido. — Sentinela, use o Gust com toda força!

Ganhar tempo com Gust era a primeira parte do plano, ao passo em que Ninetales usa Nasty Plot incessantemente, Pidgeotto desfere pequenos vendavais seguidos também para causar danos contínuos. Quanto a Ozymandias, preferi que este fizesse o mesmo que a raposa, e assim o fez. Hypno engrandecia seu poder utilizando o Nasty Plot se sua autoria, o que nitidamente processava de modo diferente do adversário. Enquanto isso Sneasel acordava, ela estava nos meus braços e se queixava quando percebia que eu tinha aplicado a última Potion sobre si, em seguida moveu as orelhas e saltou do meu colo já arqueando as garras para uma figura que repentinamente tinha surgido atrás de mim.

— Isso é bem ruim. — Balbuciou e levou o cachimbo à boca.
— A-ATERUI?! QUANDO CHEGOU AQUI?!
Admito que levei um susto ao ver que o velho sábio tinha chegado ali tão perto sem fazer nenhum barulho. Aterui observava tudo com muita atenção e dava suas explicações como costumeiro:
— Sem drama jovem Adam, agora preocupe-se com aquilo. — Apontou para a raposa que misteriosamente atacava a Igfenus com suas poderosas nove caudas enquanto mantinha o foco no acúmulo de energia. — Uma hora ela volta a ativa, o que vai fazer quando esse momento chegar? — Fumou.

Mais uma vez ele me deixava sem respostas para o dilema que instaurou-se, fiquei me perguntando se eu realmente estava agindo certo, como podia ter certeza de que meu plano funcionaria? E se eu estiver arriscando muito, sobretudo a vida dos meus pokémon? Confesso que fiquei estagnado em devaneios, acho que me perdi na minha própria obstinação. Aterui começou a rir disfarçadamente, em seguida alisou a barba vermelha, arqueou a sobrancelha direita e derramou mais de seus ensinamentos com cunho de sermão.

— Você é sempre desses que precisa ver para crer? E mesmo assim não se contenta com uma única prova, hm? — Começou com o bombardeio de indagações. — Preste bem atenção, Adam. Está colocando a sua vida e a de seus amigos em perigo por algo que pode ser facilmente constatado. Olhe...
O velho apontou para a raposa de nove caudas que a este passo já estava bem maior do que antes, as lufadas de vento do Sentinela já não eram tanta coisa assim para aquele tamanho, fora que a ave já parecia bem exausta. Hypno chegava ao seu limite de concentração se comparado ao adversário que sequer queixou-se. Com tudo isso eu pude ver que estava no caminho errado e que minha missão ali não seria concluída com sucesso.
— É mesmo um pessimista, hein? Jovem Adam, já percebeu que ele não é afetado por movimentos normais e que também não deixa pegadas por onde anda. O que mais quer daquela criatura? Não importa quanto esforço você faça... — Aterui pausava sua fala para que finalmente eu pudesse compreender o todo e completar:
— ... Um espírito corrompido sempre encontrará forças para nutrir sua ira. — Concluí.
— Humhum, Bom garoto. Agora, pense.

Estávamos diante de um pokémon que não habitava mais o mundo físico, ele pertencia ao plano espiritual mas que por alguma razão algo parecia prende-lo aqui, e decerto que esse impedimento provêm da árvore de sangue uma vez que Ninetales aparentemente está pretendendo derrubá-la. Confesso que nunca fui um cara de muitas crenças, mas a prova de uma das dúvidas da minha vida estava ali bem a minha frente, o problema é, como lidar com um espírito? Em batalhas comuns só precisamos enfraquecer o adversário, se o espírito não possui essa energia física, então como é que vou enfraquecê-lo? Novos dilemas pairavam na cabeça mas tentaria resolvê-los antes de qualquer palpite por parte do Aterui. Felizmente Ozymandias tinha uma sugestão; o psíquico já estava com sua mente à mil, processou informações suficientes para sugerir que usássemos a Soothe Bell para dar algum efeito tranquilizante a criatura, mesmo que fosse por curto prazo. Se até Aterui assentiu a ideia, quem sou eu para negar? Dei os primeiros passos em direção ao Ninetales, balançando o singelo sino e esperando que seu efeito fosse potente o bastante para alcançar o Alfa. Novamente confrontei aqueles olhos só que dessa vez eu não temia tanto, ele também não pareceu se importar, só queria continuar compelindo sua força e desferindo ataques contra a árvore de sangue.

— Ele sabe que é inútil... — Falou Aterui consigo mesmo. — Igfenus não ganhou sua fama à toa, e sendo um símbolo de um rei forjado pelas chamas, logicamente que fogo ou qualquer coisa afim não irá destruí-la. Pobre alma que vaga em confusão... Tão desesperada para ser concebida pelo júbilo da vida eterna que cansou-se do seu martírio, nutriu-se de toda a fúria para se livrar do que lhe prende a este mundo.

Óh donzela, por que me deste tamanha incumbência?

Ao menos seis das nove caudas cessavam os ataques grosseiros, os pelos da criatura também abaixavam, mas seus olhos mantinham-se de encontro aos meus, talvez se eu os despistasse não conseguisse mais mantê-lo sob a hipnose do sino. Era a hora, Ninetales estava um pouco mais calmo como da vez que o encontramos aqui, ainda que agora ele esteja maior. Pidgeotto aproveitava o momento para descansar repousando sobre o meu ombro esquerdo. Foi ai que o sábio Aterui pode intervir com uma ajuda necessária.

— Hachiko. — Proferiu, liberando a fumaça de sua boca.
— O que? — Retruquei.
— Hachiko, esse é o nome dele. Vá para a árvore, encontre a talha cravada com seu nome e destrua de algum jeito.

Foi estranho ouvi-lo falando friamente, não de uma forma como quem quisesse prejudicar alguém, e sim de um modo empático. Todavia, eu sei que se eu ou outro aproximar daquela árvore, todo o esforço em mantê-lo calmo será em vão — Hachiko vê a Igfenus como seu único empecilho ali, então há uma questão de orgulho nos bastidores dessa disputa. Não havia mais tempo para pensar, seria tudo ou nada! Com Nebraska revigorada, foi a ela mesma que atribuí essa função, mesmo que não tenha gostado. Entreguei o sino ao Sentinela e pedi que seus últimos esforços fossem apenas em tocar o sino. Ozymandias estaria ali para nos dar cobertura e rebater as investidas do Ninetales. Com o plano feito, hora de por em prática! Pidgeotto assumiu o sino e sobrevoava a cabeça da raposa, que, ainda mantinha os olhos sobre mim. Corri para o lado da Árvore, Sneasel já me esperava lá, logo começamos a procurar pelo nome de Hachiko ao longo do caule.

— Caramba, ela é muito grande! — Resmunguei. Aterui deu com os ombros e continuou a fumar.

A procura pelo nome tinha que intercalar com a atenção sobre os ataques do espírito corrupto, já que ele nos impediria a qualquer custo. Ozzy segurava a raposa como podia usando o Confusion com um excessivo grau de poder — Diga-se de passagem, lutaria de igual para igual contra Ninetales.

- VS. Alfa Ninetales, 2º Ato -

A procura pelo nome de Hachiko iniciava, eu e Nebraska tínhamos que ser rápidos caso contrário ruiríamos pela ira do espírito corrompido do Ninetales. Hypno tentava evitar que a raposa usasse suas nove caudas contra a árvore prendendo-as numa energia psíquica focalizada pelo Confusion, o inimigo por outro lado munia-se com seu Safeguard para resguardar-se de outra possível limitação de poderes. Os anéis azulados surgiam a sua volta protegendo-lhe de qualquer eventualidade, não obstante a ave continuava a tocar o sino, mesmo que fraca e com o voo praticamente raso. No ato seguinte, Ninetales usou de estratégia, balançou tanto suas caudas denunciando outra afronta a árvore que fez Hypno reagir de modo impeditivo naquela ocasião, porém, o truque da raposa era outro: Visando o elo mais fraco, usou um potente Flamethrower contra a ave que sequer teve chances e energia para evadir.

— Ah não! Sentinela!!! — Vê-lo incendiar não foi nada agradável, decerto que ele não poderia mais contribuir naquele evento. Senti o coração apertar, afinal, não poderia salvar o meu companheiro que caía rapidamente ao solo compelido por muita fumaça. O máximo que pude fazer é aproveitar da abertura para recolhê-lo em sua Pokéball, felizmente o raio foi de um alcance preciso; respirava mais aliviado e prosseguia na procura dessa vez avançando para o lado direito daquele tronco grosso. Aquela foi a demonstração do seu poder atual, se mesmo Sentinela que por ter nascido aqui tem uma certa resistência ao calor, conseguiu cair por terra, quem dirá nós. Apressei o passo, suava muito conforme lia aqueles inúmeros nomes cravados no corpo da Igfenus, fazia parte da tradição do povo colocar nomes aqui e pedir por bênçãos. Ozymandias era o único obstáculo da raposa agora, se ele falhar acredito que Nebraska não será páreo contra a força ígnea de Hachiko. Ozzy, estou contando com você parceiro... Intercedi por pensamento.

Ninetales levantava uma de suas caudas, a ponta reluzia de modo que ela o utilizasse para escrever algo no ar, um Kanji para ser mais específico, algo que ligeiramente foi demarcado em Hypno. Aquela foi a ação do Imprison da raposa que selou qualquer movimento compatível entre eles, na certa para impedir que o narigudo usasse Nasty Plot outra vez, mesmo que já tenha chegado ao seu limite. Com ambos os lados impossibilitados de usar quaisquer meios subjetivos, restavam-lhe apenas a pura ofensiva e neste cenário Ozymandias ainda estava em desvantagem. Hachiko denunciava a vinda de mais um Flamethrower, em contrapartida Hypno abusava de seu Confusion para manter a boca da criatura fechada, o desgaste mental era tanto que foi possível ver um pouco de sangue escorrer do seu nariz e não era pigmento das folhas da Igfenus.

— Achei!!! — Exclamei em surpresa e alívio. O nome de Hachiko estava ainda na base da árvore, só que era uma escrita um tanto quanto velha a ponto de não se destacar entre as demais, por isso a demora em encontrá-lo. Posso ter ficado feliz com o achado, entretanto, acabei chamando a atenção de Hachiko que nessa hipótese viu-se imediatamente com o orgulho ferido; Hypno não seria mais o seu alvo, a ira que lhe alimenta fez quebrar as intervenções psíquicas do Confusion e direcionar o Flamethrower contra a árvore. O turbilhão de chamas chocava-se contra a parte frontal do caule, eu e Nebraska ficávamos atrás, o fogo era tão intenso que só agravava o calor, Igfenus era de fato um monumento da natureza munido de misticismo a ponto de não sofrer sequer uma queimadura; valíamos disso como defesa, porém o tempo era curto, Hypno fazia o que podia para que Ninetales não mudasse de posição e nos comprometesse, tínhamos de ser rápidos!

— Agora Adam! Apague este selo! — Bravejou Aterui expoente.
— Nebraska já sabe o que fazer! — Assenti à felina que imediatamente afiou suas garras e fincou-as sobre a árvore dilacerando o tronco e rompendo a escrita com o nome de Hachiko. Inacreditável que tamanha simplicidade não pudera ter sido antes feita, a raposa não podia remover o próprio selo que o mantinha aqui, então pensou que se derrubasse a árvore estaria livre de seu pesadelo.

As chamas cessaram. Teria Hachiko se libertado? Presumindo uma segurança saí da zona de impedimento da árvore e fui recebido com a cena onde Ninetales esfumaça uma negritude conforme seu tamanho configurava-se ao comum e aceitável, noutro passo estava Hypno caído sobre o tapete vermelho, exausto. Aterui caminhou entre as folhagens em direção a raposa enfraquecida e sentou-se ao seu lado, observou e acariciou a criatura que agora não parecia mais a mesma, no lugar do ódio havia ternura em seu olhar, como se quisesse me dizer "muito obrigado". Bastou esse gesto para concluir que suas ações não foram intencionais, e sim preenchidas com desespero. O espírito de Hachiko estava livre graças... a mim? Demoraria muito para acreditar e se Aterui soubesse disso decerto que viria com mais um sermão.

— Está tudo bem agora... — Disse o sábio aconchegando o animal com seu carinho. Aproximei-me de Ozzy com o fim de consolá-lo também, afinal nada disso seria possível sem o seu magnífico esforço. O pokémon estava meio desacordado, acolhi em meus braços e notei seu corpo corar em harmonia até que finalmente se rendesse ao sono profundo provocado pela exaustão. Merecido. Era hora de descansar. — Obrigado Ozzy. — Por fim recolhi o mesmo em sua respectiva Pokéball.

A neblina voltava a perambular naquela clareira, dessa vez mais densa do que antes, capaz de toda aquela fumaça ter acrescido em sua quantidade. Ao passo em que o nevoeiro avançava, fomos concebidos por uma ventania intensa que de tão fresca fazia-me esquecer do calor abrasivo daquela ocasião. O tapete natural se levantava conforme as lufadas de vento passavam sobre si, era um baile que encaminhava-se para a saída/entrada da clareira. Ninetales tremeu as orelhas e esboçou uma feição de atenção, seus olhos rubros procuravam por alguma coisa naquele ambiente, inquietos, conseguiu força para levantar mesmo após toda a confusão. Os ventos produziam um som fino e gracioso como as de um guizo, de repente Hachiko aprumou-se contra a direção da saída da clareira, suas nove caudas começaram a balançar e dessa vez denunciavam um estado de intensa alegria. Aterui me orientou a olhar para aquele caminho, a misteriosa neblina abria-se e revelava que no tapete vermelho pelo qual eu já havia passado antes havia alguma figura, uma silhueta feminina, estava lá parada nos observando e mesmo de longe eu podia sentir que sua emoção era recíproca com a de Hachiko.


— Vá. — Assentiu Aterui a raposa. — Ela veio te buscar, Hachiko...

Bastou essas palavras para que o pokémon de fogo acompanhasse a ventania e corresse em direção à moça, uma corrida tão bela e significativa que qualquer um que presenciasse constataria a tamanha saudade que Ninetales tinha para com aquela pessoa. Assisti a cena distante mas nem isso pode impedir o que meus olhos puderam perceber com veracidade, no momento em que Hachiko chegou aos braços da donzela ambos uniram-se em um abraço e num ato místico converteram-se em folhas vermelhas que foram sopradas junto com as outras para além da Floresta Chamuscada, em direção ao céu, ao mar, às cidades, ou para onde eles bem quisessem ir. Eis o espírito de liberdade.

A ventania cessava, as folhas se acalmaram e reorganizavam uma nova composição natural que acobertava aquele solo. O misterioso nevoeiro também já não era presente, finalmente pude ver a extensão daquela clareira. Será que a ordem das coisas foi recuperada? Aterui respondia indiretamente com um riso contido, veio a mim para um consolo com fundo de sermão.

— Vai ficar tudo bem, Adam. O mundo em que vivemos é cheio de mistérios e são pessoas como você que serão agraciadas por suas manifestações. Crer é a palavra chave, meu caro. — Parou a fala e puxou um fumo de seu cachimbo. — Agora você precisa ser forte, Adam. Forte como o que já se passou, para o que está por vir... — Pesou a fala no último momento. De repente meu celular começou a tocar, com a permissão de Aterui pedi licença para atender e tomei alguma distância. A ligação estava ruim, não conseguia ouvir muita coisa, eram chiados, talvez não houvesse bom sinal por aqui, de todo modo após concluir o atendimento sem muito sucesso recebi uma mensagem que involuntariamente abriu-se na tela do meu celular a ponto de comprometer quaisquer outras funções do aparelho.

— Que coisa é essa?!

Mensagem escreveu:
"Quando os gatos saem, os Ratos fazem a festa"

Por hora ignorei o fato do meu celular ter sido possivelmente hackeado, ou talvez seja algum tipo de vírus. Enfim, quando virei-me para falar com Aterui eis que o mesmo tinha desaparecido repetindo o que já era previsível, foi embora sem se despedir ou dar maiores detalhes sobre si. Só que dessa vez algo estranho me chamou a atenção, surgiram naquele chão de folhas vermelhas pegadas visivelmente mornas semelhantes as de um felino de porte grande. Elas começavam num ponto e terminavam inconclusivas. Se Ninetales que era a única criatura possível dessa façanha, não demarcava o solo e sequer é um felino, então quem o teria feito...?

— ... É claro. — Sorri em constatação fitando a imponente Igfenus diante de mim. — Realmente Aterui, este mundo é mesmo cheio de mistérios...




O começo de um novo Arco está por vir...

OBS:

Solicito trancamento do tópico.
Adendos: Sei que Ninetales originalmente tem Quick Attack em seu arsenal, mas optei por não usá-lo visto que Hachiko era um espírito. Foi a batalha mais difícil e intensa que Adam já teve até então, embora a sua solução tenha sido "simples", quis dar um enfoque diferente à batalha do que meramente enfraquecer o Alfa só com ataques. Ademais, considerem que o rapaz já se despediu da Floresta :)


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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Apollo em Ter Jun 26, 2018 11:15 pm

AVALIAÇÃO
Boa noite! Estarei encarregado de reavaliar a sua rota, então espero que goste da minha singela avaliação. Sendo assim, decreto que a avaliação anterior estará sendo anulada e, consequentemente, níveis recebidos serão retirados e itens ganhos provenientes do sistema de "Pokémon Alfa" também serão sorteados novamente.

Inicialmente, acho que nem preciso mais ressaltar o quanto eu gosto de sua escrita. Ao mesmo tempo que você aborda a personalidade de seu personagem em seu texto — deixando-o com uma escrita um pouco mais informal — você consegue dar um tom mais sério aprofundando bem nas descrições do que ocorre nos arredores de Adam e seus companheiros.

Devo admitir que, como sempre, você consegue utilizar muito bem outros elementos em sua jornada e adorei como você usou o Soothe Bell para manipular o comportamento agressivo tanto de Nebraska quanto de Ninetales, cuja alma fora presa na floresta chamuscada. Achei magnifico a criação dessa história para inserir o alfa em sua participação do evento. Aprecio bastante essa paixão que você possui em sair extremamente do que vemos nos jogos, dando novas utilidades para movimentos e itens já existentes, assim passando uma sensação mais real ao seu texto.

Apenas duas coisas me incomodaram durante o texto, a primeira: senti um pouco de falta de emoção quando Ninetales utilizou o seu Confuse Ray para fazer Adam ter algumas ilusões. Esperava que o personagem, pelo menos um pouco, pudesse sentir um pouco do gostinho do desespero por estar vendo tudo em sua volta queimar repentinamente. No meu ponto de vista, ele agiu muito normalmente e conseguiu encontrar a resposta do que estava acontecendo com ele naquele momento de forma muito rápida. A segunda coisa que me incomodou foi o uso da mesma cor nas falas do outro homem, pois demorei um pouco para identificar que tratava-se de outra pessoa e não Adam.

Esse segundo ponto pode se tornar mais problemático quando falamos a respeito da troca de avaliadores que pode ocorrer repentinamente durante uma rota e, caso ele não esteja a par de todos os acontecimentos anteriores a rota — como foi o meu caso — podendo então causar uma certa confusão ao leitor. Óbvio que esse segundo ponto trata-se de apenas um ponto de vista meu, sendo assim não irei utilizá-lo como critério avaliativo para a sua nota final.

Enredo: 5/5
Escrita: 5/5
Total: 10/10
Ótimo

Sneasel sobe para o nível 16 e aprende Icy Wind;
Hypno sobe ao nível 21 e pode aprender Meditate;
Pidgeotto sobe ao nível 18 e aprende Whirlwind.

Premiação
[Link do Sorteio (Alfa)]

Adam recebeu uma Charizardite Y.

Adam recebeu uma TM de Fogo com Pwr ∞.

Adam recebeu 5x Rawst Berries.

Adam recebeu uma TM28 - Thunder.

Adam recebeu 1x Reaper Cloth.

Adam recebeu uma TM34 - Sludge Wave.
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Re: [02] - Cigarettes

Mensagem por Sammy em Qua Jun 27, 2018 7:39 pm

Rota Finalizada!
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Re: [02] - Cigarettes

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